Voto não tem preço, tem consequências!

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A frase que empresta título ao artigo não poderia ser mais sugestiva e sábia. Já titulou artigo publicado em outro jornal em julho de 2012, quando da última eleição municipal.

Naquela oportunidade escrevemos: – “O país já pagou caro pela experiência nefasta de eleger políticos não comprometidos com a administração pública e com o bem comum. Em toda eleição alguns candidatos têm altos índices de rejeição pelo passado nada recomendável e, mesmo assim se lançam como arautos da seriedade na administração pública e pretendentes a administrar o nosso dinheiro, quando na verdade o propósito não é outro, senão o de locupletar-se dele.”

– Passados quatro anos o cenário volta a ser o mesmo.

Em Catanduva, são mais de 200 postulantes ao cargo de vereador para apenas 13 cadeiras. O que os atrai, evidentemente, com raríssimas exceções, não é o idealismo nem o propósito de servir o povo e a cidade. A maioria busca garantir pelo período de 48 meses um salário próximo a R$8.000,00.

Nada desprezível, pois representa nove vezes o salário mínimo vigente, privilégio de poucos. Se a remuneração fosse de apenas um salário mínimo, esse número provavelmente não passaria de 30%(trinta por cento) do atual universo de candidatos. As limitações impostas pela lei eleitoral, é verdade, não permitem poluição da cidade com cartazes e cavaletes, nem campanhas milionárias, o que não deixa de ser positivo.

Mas convenhamos, não é fácil tolerar os programas políticos e anúncios veiculados em emissoras de rádio e televisão, ainda que com o período de duração e o tempo de veiculação encurtados. E as pesquisas então? São um caso à parte, já que cada encomendante acredita nos números que lhe são vendidos pelos institutos ou empresas do ramo, nem sempre confiáveis. Nesse quesito todos já estão eleitos.

Esse é um jogo, onde todos vendem ilusões, uns mais, outros menos e muitos acreditam e, é por isso que os Lulas, as Dilmas e os Cunhas da vida chegaram tão alto no cenário nacional. Justo Veríssimo, o político corrupto e malandro encarnado pelo magistral e inesquecível Chico Anísio em “Chico City” e que tinha o bordão “Eu tô aqui é pra me arranjá”, seria apenas um aprendiz com esse bando de hipócritas.

O genial Graciliano Ramos, quando então prefeito da então pequena Palmeiras dos Índios, no período de 1927/1930, ao prestar contas da sua administração ao Governador de Alagoas Álvaro Paes, como era obrigatório à época, deixou lições sábias e que deveriam ser lidas por qualquer postulante a cargo público.

Destacamos alguns trechos:

– “Dos funcionários que encontrei em janeiro do ano passado restam poucos: saíram os que faziam política e os que não faziam coisa nenhuma. Os atuais não se metem onde não são necessários, cumprem as suas obrigações e, sobretudo, não se enganam em contas.”

– “Prefeito não tem pai. Eu posso pagar a sua multa. Mas terei de apreender seus animais toda vez que o senhor os deixar na rua.”

– “Convenho que o dinheiro do povo poderia ser mais útil e estivesse nas mãos, ou nos bolsos, de outro menos incompetente do que eu. Em todo o caso, transformando-o em pedra, cal, cimento, etc, sempre procedo melhor que se o distribuísse com os meus parentes, que necessitam, coitados.”

– “A Prefeitura foi intrujada quando, em 1920, aqui se firmou um contrato para fornecimento de luz. Apesar de ser um negócio referente à claridade, julgo que assinaram aquilo às escuras. É um bluff. Pagamos até a luz que a lua nos dá.”

– O relatório na sua integra pode ser lido no site www.revistadehistoria.com.br. Por final, a frase que encerrou o artigo de julho de 2012, citado no início, é também bastante oportuna para o momento atual: “Nessa e em qualquer outra eleição, é sempre oportuna a sábia recomendação: respeite o meio ambiente, não deposite lixo nas urnas, porque o voto não tem preço, tem consequências e, que consequências!”

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