Visita ao ateliê Miro PS

A obra de Miro PS é uma constante humanização da tecnologia. Cada cabo de rede ou tecla de computador utilizada é um passo que dá na busca de um entendimento da complexidade. A magia do processo está em verificar como o universo binário que fundamenta boa parte do mundo contemporâneo é múltiplo na arte.

A reutilização de materiais, por exemplo, se dá na concepção de se estar perante objetos que guardam uma memória. Quantos textos foram digitados em um teclado, por exemplo, e quais emoções eles transmitiram? O mesmo vale para a impossibilidade de contabilizar as informações que passaram pelos mais diversos cabos.

Existe, no conjunto do trabalho, a busca por lidar com infinitas possibilidades de articulação de materiais. A diversidade deles está relacionada com uma inquietação que instaura redes internas de raciocínio sobre um fazer constantemente posto à prova em densos e sutis conceitos e diversos meios, da pintura à instalação.

Há uma tendência de construir séries que procuram obsessivamente soluções e respostas de modo a gerar visualidades caracterizadas pelo detalhe preciso e pela visão do todo que discutem individualidades. Uma tecla, por exemplo, já foi pressionada individualmente, mas pode resultar em um texto de alcance universal.

Miro OS – TP2023-A, 2023 – Colagem de cabos lógicos e elétricos sem lona em moldura de madeira (peso aproximado 30 kg) – 173 × 130 × 5 cm

Oscar D’Ambrosio
@oscardambrosioinsta
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista, crítico de arte e curador.