PF investiga deputados por ‘mensalão sindical’

FÁBIO FABRINI E LETÍCIA CASADO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Investigações da Polícia Federal mostram que congressistas alvos da Operação Registro Espúrio, deflagrada nesta quarta (30), determinavam quais entidades receberiam cartas sindicais do Ministério do Trabalho.

Os benefícios eram concedidos em troca de uma espécie de “mensalão sindical”: apoio político em eleições ou a filiação às centrais controladas pelos parlamentares.

Conforme as apurações, deputados ligados ao PTB e ao Solidariedade nomearam aliados no ministério, os quais fraudavam os processos de registro em favor de instituições por eles indicadas.

A operação cumpriu 87 mandados judiciais do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin. Ele determinou as prisões de 23 pessoas, entre elas o secretário-executivo do Trabalho, Leonardo Arantes, e o diretor do Incra Rogério Arantes.

Eles são sobrinhos do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), investigado. Leonardo estava em viagem a Londres e não foi localizado pela PF.

Houve buscas nos gabinetes e nas casas de Jovair e de seus colegas de Câmara Paulo Pereira da Silva (SDD-SP), o Paulinho da Força, e Wilson Filho (PTB-GO). Também foi alvo o deputado licenciado Ademir Camilo (MDB-MG), vice-presidente da União-Geral dos Trabalhadores.

A PF pediu a prisão do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson (RJ), ex-deputado condenado e preso pelo esquema do mensalão do PT. Mas Fachin entendeu que não havia elementos suficientes.

As investigações também citam envolvimento dos senadores Dalírio Berber (PSDB-SC) e Cidinho Santos (PR-MT), flagrados pedindo a servidores da pasta para favorecer entidades. Fachin não autorizou medidas contra eles.

A PF viu elementos para a prisão dos congressistas, mas não a solicitou porque detêm imunidade parlamentar. Fachin, no entanto, determinou que Paulinho e Wilson se afastem do ministério e de outros investigados.

Mensagens mostram que Paulinho enviou ao ministério lista de entidades a serem favorecidas. Vários casos envolvem o ex-secretário das Relações de Trabalho Carlos Lacerda, indicado por ele.

O Ministério do Trabalho não afastou alvos da operação. “Apuradas as responsabilidades, dispensável dizer que o ministério não se eximirá de aplicar as penalidades previstas em lei.”

Paulinho diz que a citação não tem fundamento e criminaliza o movimento sindical.

Jovair diz que se manifestaria por meio do PTB, que negou ter participado de negociações espúrias e que, após conclusões, “culpados devem assumir responsabilidades”.

Wilson Filho não respondeu. A reportagem não conseguiu contato com Camilo nem Rogério, Leonardo Arantes, Renato Araújo e Renata Frias.

Santos diz que não é alvo. Berber afirma que está ciente de sua inocência. O Incra informa que cabe à Presidência exonerar diretores.