Pedintes e mendicância

A cena é corriqueira – enquanto você aguarda o sinal abrir no cruzamento aproxima-se um pedinte com cara de coitadinho fazendo gesto que precisa de uma moedinha.

A grande maioria dos condutores nada oferece, o que  é o correto,  mas um ou outro entrega moedas, especialmente as mulheres que ficam mais  sensibilizadas com  esses falsos apelos.

Muitos desses pedintes são figuras manjadas, notórias  e conhecidas e na realidade não retratam a miséria humana,  já que  grande maioria emprega tudo o que consegue na aquisição de drogas ou cachaça, salvo algumas poucas exceções.

Pedinte é uma figura que existe em qualquer lugar do mundo, principalmente em pontos turísticos  – em alguns mais, em outros menos e, quanto pior a situação do país ou mais importante o ponto turístico,  maior o número. Em nossa cidade temos três classes desses “profissionais do não fazer nada”.

Os que,  caminham pelas ruas, hoje são poucos e, aqui vale destacar até quem se finge de deficiente físico com dificuldade para caminhar, mas, quando não está no oficio consegue sair em disparada para não perder o ônibus. A maioria poderia estar trabalhando como empacotador  em supermercado ou mesmo num trabalho operacional leve, mas prefere a mendicância que, deve ser mais lucrativa.

Nessa classe tem também os que perambulam acompanhados de um cachorro. São figuras reféns da cachaça e, além do estado deplorável, apresentam sempre um grau de visível inchaço no rosto. Tem, ainda, os que fazem ponto fixo –  estes possuem território demarcado na rua Brasil e nesse grupo, tem alguns que, até  possuem tempo mais do que  suficiente para se aposentar como pedinte já que como deficiente físico a previdência garante a aposentadoria mensal de um salário.

Os dois quarteirões entre as ruas Minas Gerais e Sergipe são os preferidos e, com frequência também o calçadão da Praça da República. Finalmente os que marcam ponto nos faróis do cruzamento da avenida José Nelson Machado com Rua Maranhão (ao lado do prédio da Prefeitura); Rua Pará com Paraíba e Rua 7 de Setembro com XV de Novembro.

Há alguns dias um condutor ao ser abordado à distância  por um desses pontuais pedintes fez um gesto que tinha um trabalho para ele capinar. Não é preciso dizer que reação foi de ignorar e aumentar ainda a suposta dificuldade de andar e de se comunicar, encenação que faria inveja aos atores de novela.

Ser pedinte exige performance,  além da cara de coitadinho, sem contar que, em grandes cidades, muitos adultos fazem uso de crianças para essa pratica  – um crime! Em muitas cidades existem nos principais pontos de cruzamento placas bem visíveis do tipo “DAR ESMOLA NÃO AJUDA”; “QUEM DÁ ESMOLA FINANCIA A MISÉRIA”; “QUEM DÁ ESMOLA NÃO DÁ FUTURO”; “NÃO DÊ ESMOLA DÊ CIDADANIA”; “NÃO DÊ ESMOLA DÊ DIGNIDADE”.

Muitas outras mensagens visuais  existem como modelos  ou podem ser criadas nesse sentido, um gesto que não custa muito e, só  depende da iniciativa do governo municipal. Placas desse tipo são importantes, sobretudo para conscientizar os condutores que dar esmola não resolve!

As placas podem não acabar com essa pratica, mas tendem a inibir ou, no mínimo  fazer os pedintes mudar de ponto.  De toda a forma, uma coisa é certa – ninguém gosta de ser abordado por pedinte, principalmente nos cruzamentos.  Isso tira a atenção, causa desconforto  e principalmente incomoda, não é mesmo?

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