Ossada de desaparecido político da ditadura é identificada quase 50 anos após morte

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As ossadas do paulista Dimas Antônio Casemiro, torturado e morto pela ditadura em 1971, foram identificadas neste mês, quase 50 anos depois.

Em setembro de 1990, foi descoberta a vala clandestina de Perus, no cemitério Dom Bosco, na zona Norte de São Paulo. Lá, Dimas havia sido enterrado como indigente. As ossadas foram enviadas para um laboratório na Bósnia em setembro do ano passado.

Desde a descoberta da vala, apenas três pessoas haviam sido identificadas. Uma delas é o irmão de Dimas, Dênis Casemiro, que também foi torturado e morto em 1971.
Dimas era militante do grupo VAR-Palmares, e foi também dirigente do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), tendo sido morto aos 25 anos de idade depois de dias preso e apresentando sinais de tortura. Ele era casado com Maria Helena Zanini, com quem teve um filho, Fabiano César.

Seu irmão, Dênis Casemiro, também foi sequestrado e morto pela ditadura em 1971, aos 28 anos. Os irmãos Casemiro são naturais de Votuporanga, no interior de São Paulo. Segundo um documento da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos, do governo federal, antes da militância, Dimas foi corretor de seguros, vendedor de carros e tipógrafo.

Documentos dos órgãos de segurança acusam Dimas de ter participado de operações armadas, inclusive a que matou o industrial Henning Albert Boilesen, presidente da Ultragás, em 1971, em São Paulo.