O país que queremos

Raramente esse espaço é ocupado para abordar assuntos políticos, porque outros articulistas seguramente têm muito mais competência e talento para tanto.  Mas,  diante do cenário atual e à medida que os institutos de pesquisas revelam a tendência do eleitorado, não há como ficar alheio, não é mesmo?

Arnaldo Luiz de Oliveira Filho, in jornal “O Estado de São Paulo”, pg. 3, 30/09/2016, cunhou uma singular e célebre frase que diz muito:  – “Com a aproximação das eleições aqui vai um alerta: o ladrão é que escolhe as suas vítimas; já os políticos é você que escolhe para roubá-lo. Ou melhor, o seu voto pode fazer um ladrão virar político.” A verdade é que cada vez mais muitos estão sentindo vergonha de ser brasileiros e,  isso decorre de uma sucessão de decepções.

De nada adianta fazer capela do hino nacional em jogos da seleção quando há pouco ou quase nada para se orgulhar do país. Débora Seco,  no programa “Alta Horas”, do  Serginho Groisman, disse que,  ao ser indagada por uma senhorinha se ela não tinha vergonha de interpretar papéis de prostitutas (ela interpretou Bruna Surfistinha no filme do mesmo nome), com muita sabedoria respondeu que teria vergonha se tivesse interpretado algum político. Para um bom entendedor, basta, não é mesmo?

Se na copa a seleção, apesar do talento e de toda competência e organização capitaneada pelo Tite, não conseguiu passar das quartas de finais, porque o acaso entrou em campo,  no mundo político estamos na quarta divisão, pra não dizer na várzea. Praticamente todos os nossos políticos não são confiáveis ou estão envolvidos em alguma falcatrua com inquéritos, representações, processos em andamento e condenações,  sem contar os que exerceram cargos públicos e estão presos, a começar pelo condenado Lula.

Assim, nesse universo sobram pouquíssimos e,  o que é mais triste, com a eleição se aproximando, está difícil escolher o menos ruim dentre os pré-candidatos. Lamentável!!  Quem sabe ocorra um milagre(como aconteceu na França com o Emmanuel Macron) e surja um candidato jovem de centro ou centro direita, sem máculas em seu currículo,  que consiga congregar todas as forças políticas e devolva ao povo a esperança e a confiança que falta ao país para retomar a sua capacidade de empreendedorismo indispensável e necessário para alavancar o crescimento que permite dar emprego e distribuir rendas. Quem sabe!!!

Não se pode ignorar também o recente episódio de várzea que marcou a decisão de soltura e não soltura do condenado Lula. Como se vê, também no judiciário a política com todos os seus tentáculos e as suas mazelas está dando seus pitacos, principalmente quando encontra um desembargador tendencioso de plantão. Então este é o país que queremos? Certamente que não, mas pra isso mudar é preciso sejam eleitos cidadãos comprometidos com a verdade e com projetos que possam tirar o país da instabilidade e da crise, que já  cansou a nossa beleza e não um político que vai se tornar ladrão ou ladrão que vai se tornar politico,  porque esse tipo de gente  é o que não falta nos governando.

É preciso dar um basta nisso tudo para que as manchetes dos jornais sejam de conquistas e desenvolvimento e não de escândalos políticos.   Já que uma frase célebre marcou o início da coluna, nada mais oportuno que encerrar com outra,  não menos sábia –   “A ignorância é a homenagem que a estupidez presta ao populismo.”(Ives Gandra da Silva Martins, Folha de S.Paulo, pg.A3, 07/05/17)

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