O desafio do professor com o estudante surdo nos anos iniciais do Ensino Fundamental

O artigo científico “O estudante surdo nos anos iniciais do Ensino Fundamental: um olhar docente”, que tem como autoras egressas do curso de Pedagogia da UNIFIPA, foi publicado na Revista Interciência, do IMES Catanduva. A revista prioriza a publicação de resultados de pesquisas originais que não tenham ainda sido publicados e que tenham relevância para a comunidade científica. O artigo foi resultado de pesquisa científica realizada em 2020 das atividades de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) pelas então alunas Ana Carolina Guedes da Silva e Gabriela Guerra Pereira, tendo como docente orientador a Profª Lidiane Augusta Ferrari Botteon. “Considerando o direito de todos os estudantes ao processo de ensino-aprendizagem, o artigo contribui para a área da educação escolar na medida em que traz resultados significativos quanto a importância dos processos comunicativos como parte fundamental na aquisição do conhecimento”, disse a coordenadora do curso de Pedagogia/Unifipa, Maria Sílvia Azarite Salomão.

Os dados foram coletados na cidade de Catanduva, através do contato com a Secretaria Municipal de Educação, que autorizou a pesquisa, levando em consideração os docentes dos anos iniciais que tenham em sua sala de aula alunos com surdez severa/profunda sem terem implante coclear. Os resultados constantes no artigo apontam que os docentes são engajados nas atividades pedagógicas destinadas a esses alunos, mas apresentam dúvidas e dificuldades advindas da falta de recursos, do não domínio do uso da Língua de Sinais e da inexistência de intérpretes. Dos professores entrevistados, o obstáculo citado foi a falta de intérprete na sala regular, todos consideram o ensino em Libras e o intérprete fundamentais como parte do currículo, contudo, acreditam não ter proficiência suficiente, além da falta de intérprete nas escolas. “O meu maior desafio é não ter uma intérprete em sala de aula em tempo integral que possa fazer a comunicação adequada entre mim e o aluno. E a falta de material fornecido com as adaptações necessárias para garantir o ensino aprendizagem”, foi uma das respostas. “Tenho grande dificuldade em adaptar o conteúdo para o aluno, pois como a escola não possui intérprete o aluno falta bastante e quando aparece na escola é agressivo e se recusa a fazer a maioria das atividades”, apontou outra resposta.

Estudos sugerem que estudantes com deficiência se beneficiem do ensino regular, pois é através das situações pedagógicas e do reconhecimento das vivências de cada um que a inclusão de fato ocorre. Com relação a interação do aluno surdo com os demais colegas e membros da escola o estudo sinaliza que há bom acolhimento, como aponta a resposta: “As crianças acolheram o aluno de uma maneira fantástica! Todas as canções, poesias, a rotina da sala foi adaptada em Libras. Esses são os momentos mais esperados pela turma; o aluno sempre, mesmo com a cuidadora pessoal, trabalhou em pares e grupos, com muito apoio e interesse dos colegas.”

“Por fim, não é nosso intuito culpabilizar, seja o professor, a escola, as políticas públicas ou a sociedade, mas mostrar sob a luz do trabalho dos professores e suas próprias perspectivas e expectativas questões práticas atinentes aos estudantes surdos participantes de salas de aula regulares”, disseram as egressas em suas conclusões.

O estudo na íntegra pode ser consultado nas versões português e inglês pelo link: https://bit.ly/RevistaInterciencia_PedagogiaUnifipa

Foto: Divulgação FPA

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