Nem Bruxas, nem Cinderelas

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A menina desde pequena de alguma forma vai sendo preparada para um dia ser mãe. Ganha bonecas que passam a chamar de filhas, e delas cuidam como podem. Algumas logo deixam bem claro que não tem “muita vocação” para ser “do lar”.

O interessante é que as bonecas são filhos adotados, todos eles, mas nunca uma mulher, por maior vocação que tenha para ser mãe, se prepara para adotar filhos. Isso quando acontece é por algum motivo que não estava no programa original.

Mais interessante ainda é ver o significado que os dicionários, em todas as línguas, dão para a palavra madrasta. E as histórias de conto de fadas e histórias infantis então?

Para a mãe biológica criar e educar um filho já é uma tarefa de gigante, e sempre acompanhada de críticas, que vem de todos os lados. Para a mãe adotiva tudo se multiplica, pois as críticas crescem, se distorcem, por conta de frases do tipo: “se não tinha paciência por que adotou?”, ou, “ devia ter aceitado a natureza, se Deus já lhe negou um filho, um bom motivo teria”, e outras babaquices do gênero.

Quando a mãe adotiva existe por se casar com um homem viúvo, nossa, a barra é mais pesada ainda. Os próprios filhos já a comparam com a falecida mãe, competem com ela pela posse do pai, com o aval do restante da família e antigos amigos do casal.

Existe no inconsciente coletivo essa tendência em perceber essa mãe especial como uma pessoa má, que veio ao mundo para “fazer mal” às criancinhas, que serão as vítimas de todas as suas frustrações e desilusões.

Mães e madrastas à parte, vamos analisar os filhos. Esses “anjinhos do Senhor”, principalmente nos dias de hoje, estão muito mais distantes de serem “Gatas Borralheiras e Cinderelas”, do que as mães e madrastas perto de serem “bruxas malvadas”.

A mulher, seja ela mãe biológica ou adotiva, trás no seu instinto a vontade de ser mãe, e faz esse treinamento com filhos adotivos, quer sejam eles bonecas ou crianças de verdade ( irmãos menores,.parentes, etc.).

Quando assumem essa função, o fazem com todo o amor, romantismo, esperanças, expectativas, ilusões e carinho que criaram sonhando um dia ser mãe, e quando recebem uma criança a recebem tão bem como se a tivessem concebido, pois foi assim que aprenderam a ser mães, recebendo uma criança.
Essa missão será repleta de desafios; desde a idade da criança quando é adotada, os traumas e mágoas que ela trás, sua história , suas reações quando souber que aquela mãe não a concebeu , e muitos outros fatores..

Mas tudo isso, para cada caso é um caso, a única constante é a ansiedade dessas mães em acertar, em ser uma boa mãe, em ser a mãe que aquela criança merece.

Não tenho conhecimento para aconselhar ninguém, mas arriscaria um palpite para essas mães: “seja você mesma, com a sua atenção apenas em você e na criança. Todas as diferenças que existirem entre vocês serão PORQUE todos somos diferentes, e nunca porque seu filho não veio de seu ventre. Respeite a criança como um ser humano que tem vida própria, e não cobre dela comportamentos para realizar suas expectativas, ela não veio ao mundo para atende-las. Para terminar, NÃO MIME, filhos precisam de amor, não de mimos”

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