Na Alesp, presidente da Enel fala em “esforço significativo” no apagão

Em depoimento com sete horas e meia de duração à CPI da Enel na Alesp, o presidente da distribuidora em São Paulo, Max Xavier Lins, afirmou nesta terça (14) que o fornecimento de energia elétrica ao consumidor paulista “melhorou estatisticamente” desde que a multinacional italiana adquiriu o controle acionário da antiga Eletropaulo, em 2018.

Mesmo com uma decisão judicial que lhe garantia o direito ao silêncio, Lins respondeu a todas as perguntas feitas por deputados e prefeitos presentes na reunião da CPI da Enel.

Segundo Lins, até o ano passado, a Enel já havia investido R$ 6,7 bilhões, sobretudo na automação da rede que possui 43 mil quilômetros de extensão. O investimento, segundo ele, superou o lucro líquido da empresa, acumulado em R$ 4 bilhões no mesmo período.

“Estamos investindo muito mais que 50% daquilo que ela [a Enel] lucrou”, declarou. “Em função desse investimento, os indicadores de confiabilidade e qualidade de energia elétrica melhoraram objetivamente”, completou.

Nesse ponto, o presidente da Enel recorreu a dois medidores auferidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel): a Duração e a Frequência equivalentes de interrupção por consumidor – DEC e FEC, respectivamente.

Ele explicou que o DEC significa o tempo médio que um cliente fica sem energia elétrica durante o ano; enquanto o FEC é a quantidade média de vezes em que isso acontece. “Em 2017, o DEC era de 11,7 horas. Fechamos 2022 com 6,36 horas. O número do FEC era de 6,5 vezes. Fechamos [em] 3,3 vezes”, comparou Lins.

Embate

Relatora da CPI que investiga na Alesp possíveis irregularidades da Enel, a deputada estadual Carla Morando (PSDB) pôs em dúvida a veracidade dos índices regulatórios de avaliação apresentados no depoimento.

“A qualidade de atendimento não é verdadeira. O indicador também não, pode ser de uma forma macro, o que é o problema”, ressaltou Morando. “O que é falado [pela Enel] não é o que a população está sentindo”, continuou.

O executivo da Enel discordou da parlamentar. “Isso [melhoria da rede elétrica] corresponde, sim, à realidade. O restante são (sic) argumentos. Os dados são absolutamente públicos, aferíveis, verificáveis e fiscalizados pela Aneel,” argumentou Lins.

Um segundo embate ocorreu quando a relatora afirmou que o executivo “não sentiu na pele” os transtornos da falta de energia elétrica em virtude do temporal da semana passada.

“Faltou duas vezes durante o período. Muito rapidamente” disse Lins, ao responder se também havia ficado sem eletricidade em casa. “A falta de energia não escolhe pessoas nem bairros. A gente precisa despersonificar esse caso”, comentou o presidente da Enel.

Apagão

Grande parte do depoimento serviu para Lins esclarecer o plano de contingência adotado pela Enel durante o apagão elétrico que deixou 2,1 milhões de paulistas sem energia no início deste mês, em virtude de a tempestade atingir várias regiões do estado.

Ele classificou o temporal como evento climático extremo, dado que a velocidade dos ventos ultrapassou a marca de 100 km/h. O executivo justificou que os relatórios meteorológicos em que se baseava a Enel apontavam rajadas de até 55 km/h.

O plano de contingência, informou, envolveu 1.200 equipes de emergência, quatro vezes mais que o estipulado pela Enel. “Ninguém dimensiona uma infraestrutura para momentos de excepcionalidade como esse”, declarou.

Ao se desculpar com a população paulista pelos transtornos, Lins buscou separar “crise e curso natural das coisas”. Ele avaliou como “significativo” o esforço da Enel para restabelecimento do serviço, tomando por base a velocidade de resposta.

“Nunca vivenciei uma crise dessa magnitude. Lembrando que a recomposição foi muito forte. Não foram todos que ficaram cinco dias sem energia. Um milhão e duzentos [mil consumidores] já tiveram energia recomposta no primeiro dia; 1,8 milhão, no segundo; 97%, no terceiro; e 99%, no quarto”, escalonou Lins.

Prefeitos

Prefeitos de cinco cidades da Região Metropolitana de São Paulo também puderam fazer questionamentos ao presidente da Enel. A participação foi uma estratégia da Comissão Parlamentar de Inquérito para evidenciar as demandas dos municípios atendidos pela Enel.

Nesse ponto, houve predominância de queixas relacionadas com a poda de árvores. Os municípios alegam dificuldade de contato com a Enel para realização de podas preventivas. Esse serviço exige o desligamento da rede elétrica.

O presidente da Enel reconheceu que é fundamental aproximar-se dos prefeitos. Apesar de ressaltar que o manejo da vegetação cabe aos municípios, Lins informou que a Enel realiza podas por iniciativa própria (foram mais 350 mil podas em 2022).

Lins anunciou que, em 2024, a inspeção da rede elétrica para detectar pontos críticos com o parque arbóreo será realizada com auxílio de helicópteros. “É mais rápido fazer a inspeção aérea utilizando helicópteros. Nós fazemos com helicóptero apenas as linhas de transmissão. Vamos ampliar isso para as linhas de distribuição, também”, adiantou.

Ressarcimento

Indagado sobre os ressarcimentos aos consumidores prejudicados pelo apagão, Max Xavier Lins respondeu que a reparação por danos a equipamentos eletroeletrônicos está sendo agilizada pela Enel.

No tocante a ressarcimento por prejuízos sem normatização regulatória, como produtos alimentícios e medicação, Lins ressaltou que, mesmo assim, a Enel estuda uma maneira de indenizar especialmente a população de menor renda. “Estamos sensíveis a isso. Queremos construir uma solução objetiva em até 30 dias”, declarou.

Interrupção

Durante o depoimento de Lins, houve duas quedas de energia no Palácio 9 de Julho, sede da Alesp. As interrupções no fornecimento de energia elétrica do imóvel duraram menos de 3 minutos cada uma.

O próprio Lins explicou o ocorrido. “Não houve problema elétrico da Enel no que tange a essas duas oscilações. Mantivemos contato com a área de manutenção da Alesp e confirmamos que foram provocadas por chaveamentos internos”, frisou.

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