A diferença entre valor e preço

 

No dicionário valor e preço são sinônimos, na vida e no mundo real a diferença semântica é muito grande. Essa questão foi um dos pontos abordados em recente palestra proferida numa casa de oração e que despertou a necessidade de uma reflexão maior. De fato, nos contratos e operações comerciais tanto faz a utilização de um ou outro vocábulo. Assim, preço e valor quando se trata de produtos, negócios, anúncios, serviços e tudo o mais que se relacionam com o mundo mercantil, tem conotação e sentido iguais.

No mundo das relações interpessoais a diferença é flagrante e significativa. Assim, a grandeza de uma pessoa pode ser traduzida como um ser humano de grande  valor e não alguém que tem preço, não é mesmo? O  valor nesse caso tem o sentido de estima, apreço, consideração, importância, caráter, etc. e, isso não pode ser precificado, pois trata-se de uma virtude, de um bem imaterial de quantificação inestimável e impossível de ser traduzida em  números. É claro que essa regra não se aplica aos políticos corruptos que, infelizmente, constituem a grande maioria em nosso  país.

Eles seguramente têm preço, vendem até a alma e não perdem a oportunidade de amealhar valores em forma de propina. Nesse caso, quando se trata de políticos, preço e valor são farinha do mesmo saco. Também não se pode aplicar essa regra aos artistas e atletas, pois eles valem o que representam e, nesse caso, são remunerados pela importância que significam para aqueles que os contratam  – clube, estúdio de cinema, canal de TV, rádio, revista, etc –  ou, ainda,  como estratégia de marketing, visando divulgar ou vender determinado produto.

Mesmo assim, a diferença é flagrante, pois o preço é o valor pago pelo reconhecido talento ou habilidades profissionais e por certo período de tempo ou contrato. O valor, enquanto ser humano, não faz parte da negociação e, nem poderia fazer.   A mais célebre citação bíblica de valor é a que retrata a figura das trinta moedas de prata, que foi o preço pelo qual Judas Iscariotes traiu Jesus, de acordo com uma citação de Livro de Mateus no Novo Testamento.

Qualquer criança sabe responder por quanto Judas Iscariotes recebeu para trair Jesus Cristo e entregá-lo aos sacerdotes judaicos. A grande pergunta, entretanto, para alguns curiosos, seria como calcular esse valor nos dias de hoje? Quanto valeria as 30 moedas de prata? A revista Mundo Estranho publicou uma matéria aonde ela chegou a seguinte conclusão: R$50.000,00. Será isso mesmo?

Bem, a revista chegou a este resultado  com  base no comentário de um historiador do Museu Histórico Nacional, que declara:  – “No Império Romano, do qual a Judéia fazia parte, as moedas de prata eram comuns no comércio de elite, como na troca de terras, por exemplo. Com as 30 moedas que Judas ganhou, dava para comprar uma pequena fazenda” –. Então, o cálculo feito pela revista tentou seguir pelo caminho mais óbvio, ou seja, vamos comparar o preço de um sítio nos dias de hoje e assim chegamos ao valor que Judas ganhou dos sacerdotes. Judas, apesar do arrependimento, com certeza foi um dos que não soube diferenciar preço de valor, mas deixou uma sábia lição – a vida de um homem não tem preço.

O genial  Charles Chaplin cunhou uma frase célebre  que define bem o sentido do valor do homem:  “Não se mede o valor de um homem pelas roupas e pelos bens que possui, o verdadeiro valor do homem é o seu caráter, suas ideias e a nobreza dos seus ideais.”

Resumo da ópera: o verdadeiro ser humano deve possuir valores que vem de berço  somados aos que são conquistados ao longo da vida. Quando essa regra descamba para preço, perde-se a referência desses valores.

                                                        advogado tributário

                                                        www.buchadvocacia.com.br

                                                        [email protected]