Claudia Schmidt participa de Exposição Coletiva em Lisboa

A artista digital Claudia Schmidt estará até 19 de Outubro integrando a exposição coletiva 4 ESTAÇÕES em Lisboa, Portugal na Galiart com curadoria de Maria dos Anjos Oliveira. O vernissage acontece dia 29 de setembro, sábado às 17h no Espaço Artístico Galiarte (Calçada Marquês de Abrantes 72, 1200-719 Lisboa). As visitas ocorrem posteriormente de 3ª Feira a Domingo, das 15h00 às 19h00.

Sobre a artista

Claudia Schmidt, artista digital, frequentou a pintura clássica na adolescência, mas profissionalmente trilhou os caminhos da engenharia eletrônica. Ainda engenheira, frequentou os universos da decoração e do paisagismo, mas foi no projeto TV Digital que se familiarizou com a criação de conteúdos baseados na animação de formas geométricas e na agregação de fotos e cores. Dessa familiaridade nasceu o impulso de se manifestar artisticamente por meio das ferramentas digitais. A divulgação do seu trabalho começou no âmbito da engenharia e na exploração da tecnologia, mas tem extrapolado este ambiente e se espalhado nas redes sociais, especialmente no Instagram.

Pelas mãos da curadora Maria dos Anjos Oliveira, participou em 2018 de exposições em Lisboa, no Porto e Algarve (galerias Galiarte, Porto Art e Rosa Pereira) em Viena (The Vienna Workshop Gallery) e no Espaço Joh Mabe Gallery em São Paulo.

Prepara-se agora para nova jornada em Portugal e no Carrousel do Louvre, em Paris, durante o mês de outubro e São Paulo em novembro.

Sua expressão se dá através de formas geométricas e com uma paleta reduzida de cores saturadas, manipuladas posteriormente conforme o impacto que pretende causar. Por causa dessa ausência de luz e sombra explícitas e lançando mão situações que não representam realisticamente a realidade tangível, abre espaço para a intervenção da imaginação do espectador, que acaba fazendo parte do processo de criação.

 

Ficha Técnica Galiarte

PEQUENA ENTREVISTA

– O que me inspira

Personagens míticas femininas, flores e a natureza em geral me inspiram. O meu emocional tem grande influência no meu processo criativo. Às vezes eu parto de um momento de ansiedade ou angústia, mas durante o processo tudo é lavado e eu saio renovada e reenergizada no fim, mesmo que o resultado não tenha correspondido às minhas expectativas. Livros me inspiram bastante, personagens intrigantes e detalhes de cenários… Sem dúvida, a música e as obras de arte visuais (já consagradas ou não) como um todo causam um grande impacto em mim.

– Materiais empregados

Softwares e aplicativos de criação e edição. Adoro me surpreender com os resultados obtidos a partir do jogo de luzes, camadas, máscaras e opacidade que os softwares de criação oferecem. A possibilidade de emprestar diferentes linguagens a uma mesma criação minha me fascina, ao mesmo tempo em que me encanta a conscientização de que uma obra crua se mostra, às vezes, com personalidade muito forte passando por processos de edição, mas não se submetendo a nenhum deles. Preparo-me agora para intervenções manuais na minha obra digital, além de flertar com as técnicas mais tradicionais para a produção de gravuras.

Eu trabalho em plataforma digital, pois a praticidade e a agilidade de criar apoiada pela tecnologia me permitem materializar rapidamente as ideias que me passam pela cabeça, além de experimentar linguagens e edições que transcendem a minha capacidade de manipular os materiais físicos. Além disso, por conta de uma formação inicial mais acadêmica e baseada na formalidade e no rigor da representação de um cenário, uma tela em branco acaba representando uma responsabilidade sobre os meus ombros que me tolhe completamente a capacidade de expressão e experimentação. É muito difícil para mim alcançar o meu objetivo de passar informação de forma descontraída e de difundir uma consciência de leveza ao me deparar com materiais físicos em seu estado ‘de virgindade’.

– O processo criativo

Começo, muitas vezes, a partir da leitura de um mito ou da própria necessidade de me expressar por meio das formas e das cores, como se para libertar algo ou me libertar de algo. Costumo rabiscar muito e, às vezes, consigo me disciplinar o suficiente para fazer rascunho antes de partir para a execução. Também faço rascunhos de uma ideia quando esta me acontece num momento em que não é possível parar para executá-la. Também consulto publicações de arte (digital ou não) para buscar inspiração e experimentar releituras daquilo que me impacta.

Costumo me virar bem com a escassez dos recursos disponíveis, parece que esse detalhe instiga a minha criatividade e começo a imaginar como conseguiria atingir um objetivo, mesmo em meio às restrições apresentadas ou perante a condições de contorno adversas. Gosto de encontrar novas aplicações para coisas comuns, papéis, cacos e resinas. Estou sempre disposta a dar uma cara nova, brilho ou glamour para as coisas banais do cotidiano.

– Objetivo

Gostaria que comentassem que a minha arte promove bem-estar e que as pessoas vislumbram, ao contemplá-la, novas soluções para antigos conflitos ou problemas.

Tento provocar aquele lampejo fugaz de estar em conexão com a ordem natural das coisas, o que traz como consequência, emoções tais como a simples alegria de existir, uma vez que esta conexão é algo do qual eu procuro me recordar e no que busco me ancorar.

– Qualidades formais (linha, forma, cor, textura e assim por diante) que eu gostaria que as pessoas reconhecessem na minha criação

Talvez a própria informalidade, apesar de respeitosa, com a qual eu me aproprio das formas, cores e textura… ritmo com ruptura e musicalidade, lirismo na crueza são qualidades com as quais eu gostaria que me associassem.

Que eu transito à vontade por entre os caminhos que eu percorro e que apesar de lançar mão de linguagens variadas, estas refletem consistência pois correspondem ao que sou e como sou.

– O que eu escreveria para instigar as pessoas a lerem a minha apresentação para que, depois, queiram conhecer o seu trabalho

Eu faria um convite para que voltassem à própria infância e que se recordassem do que desejavam ser quando crescessem ou do que gostavam de brincar. Pediria que dessem licença para que a minha obra fosse coadjuvante neste processo e os incitaria a enxergar as coisas por outros ângulos.