Centralino e o trânsito do centro

 

 Centralino é um cara bem sucedido que reside no centro,  num apartamento confortável acima do décimo andar, de onde tem uma visão privilegiada do movimento das pessoas e dos veículos das principais ruas centrais. Ele não é nenhum expert em trânsito, mas sente na pele as dificuldades quando precisa fazer uso do seu carro,  por conta do afluxo que considera caótico.

Nos seus deslocamentos que são frequentes, Centralino enfrenta congestionamentos de quarteirões pela literal falta de sincronização  dos semáforos, principalmente nos horários de rush e no sábado de manhã. Ele não entende como a região central pode privilegiar o estacionamento de veículos  nas duas  faixas laterais das ruas, deixando somente o corredor central ao tráfego de apenas um veículo.

Como munícipe que paga em dia seus impostos,  ele  não abre mão de viver no centro da cidade em que nasceu e onde criou seus filhos, contudo,  está indignado com a miopia das autoridades de trânsito, como também fica indignado com a dificuldade de atravessar o cruzamento da Rua Brasil, vindo pela Rua Bahia, mesmo nos horários de não pico.

Centralino reconhece que o brilhante secretário de transportes Zezinho Garcia (nem sempre compreendido à sua época),  fez um excelente trabalho na questão de trânsito e se,  ainda vivo estivesse e exercendo o mesmo cargo,  tem certeza que ele seguramente adotaria medidas e  tomaria providências para, senão resolver o problema, ao menos minimizá-lo.

Centralino demorou quinze minutos no sábado para se deslocar pela Rua 13 de Maio, das proximidades do colégio  Paulo de Lima Correia até o Mercadão, na baixada, porque no corredor central somente era possível um veículo transitar. Ele notou também que a maioria dos veículos estacionados na referida rua não dispunha do cartão da área azul, a exemplo dos veículos estacionados nas demais vias públicas onde o cartão se faz obrigatório.

Então pensou consigo mesmo: – O poder público,  além de não cuidar do trânsito como deveria,  de quebra ainda é péssimo na fiscalização da área azul. E arrematou:  E os condutores que se danem! – Centralino tem visto que nas cidades de porte médio e grande,  as principais artérias da cidade e as ruas centrais,   privilegiam o escoamento rápido dos veículos, não permitindo estacionamento na via pública e quando é permitido,  isso ocorre somente de um lado.

Nessas cidades não são permitidos carros de som agredindo os tímpanos dos cidadãos e as faixas de pedestres são respeitadas com severa punição aos infratores. Ele fica triste e não entende como uma cidade que está às vésperas de completar um século,  continua sendo provinciana e retrógrada em alguns aspectos e moderna em outros.

Mas, nem por isso, apesar do seu inconformismo,  vai desistir de do alto do seu apartamento contemplar o urubu solitário na grade no teto do Edifício Drogasil, as pessoas caminhando pelo calçadão todo encardido e que urge de melhor apresentação, os carros disputando espaço nos cruzamentos da Rua Brasil sem nenhum agente de trânsito para intervir, os jardins das praças carecendo de mais flores, a ausência de luz de alerta no topo da maioria dos edifícios do centro,  enfim um cenário que poderia tornar  a cidade mais bonita.

 

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