Carteirada

Você já deve ter ouvido falar naquele ditado português que,  diz –   “quem tem padrinho,  não morre pagão”. Também deve ter ouvido  falar do vocábulo “pistolão” e das iniciais “QI” (Quem indica), que são praticas muito comuns usadas no meio politico,  em nosso país, onde a politica,  longe de ser uma atividade nobre e digna, não passa de uma escola de maus exemplos.

O filósofo grego,  Aristóteles(384, a.C. – 322 a.C.),   quando cunhou a famosa definição – ”o homem é um ser político por natureza”, não imaginou que, em nosso país,  nenhum cidadão de bem  quer ter a natureza dos políticos.  Existe também a famosa e manjada  “carteirada”, que, segundo a Vikipédia,  – “é uma situação em que se busca vantagem ou privilégio em razão de seu cargo, profissão, condição financeira ou social. Usualmente,  na ânsia de obter pequenas vantagens não financeiras, como,  por exemplo,  valer-se de sua condição para facilitar a obtenção de preferências, favores, tolerâncias e/ou cortesias, fato que, em condições normais, não seria acessível aos cidadãos comuns.” –  Esse expediente é comumente usado pelos políticos, mas,  não só por eles, como,  também,  por algumas autoridades.

Recentemente,  uma alta representante do poder judiciário foi protagonista de um desses episódios. Ela se aproximou de um determinado serviço de saúde,  onde a sala de espera estava apinhada de gente e,  ao invés de retirar a senha e esperar a sua vez para ser atendida, o que demandaria a espera de treze pessoas à sua frente (aproximadamente 30 minutos),  preferiu identificar-se e veladamente fazer valer-se do  suposto privilégio para ser atendida de pronto. Sua lamentável conduta, em verdade, além de reprovável,   não existe nos manuais da magistratura  nem, tampouco, no manual de princípios elementares da vida em sociedade, também conhecido como usos e costumes.

Caso característico de “carteirada”, sobretudo porque naquele horário da manhã, ao que se sabe, o judiciário  está inoperante. Aos olhos de quem estava aguardando a sua vez para ser atendido,  ficou a imagem da infeliz subserviência da atendente que,  não deveria se prestar a isso, ante a abusiva e execrável impertinência da autoridade,  cujas prerrogativas do cargo que ocupa, certamente,  não lhe conferem essa distinção. Essas pessoas, que assim agem, infelizmente,  não são  poucas em nosso país, por certo, não leram,  ou  se leram,  ainda não entenderam o real sentido do artigo 5º da Constituição Federal que diz claramente:  “todos são iguais perante a lei…”,  até mesmo as altas autoridades que,  deveriam dar o exemplo!

 

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