Café Minuto – Números

TÁ RUIM – Essa pandemia está travando o mundo. Todos os setores de um país sofrem. As relações sociais estão travadas e escondidas atrás de máscaras. As mãos gastando de tanto álcool gel e lavagens. Não pode visitar parentes, ver o vô e a vó, dar um gostoso abraço, troca de cumprimento com a mão fechada com dois socos se chocando, uma cerveja com amigos num bar, reuniões em casa da família, festinha de aniversário, sair pra jantar com a família, 4 pessoas juntas já é aglomeração, beijo tá proibido, amigos… ah amigos só no Zap. Festejos ao longo do ano, nem pensar! Sem festas juninas pelo segundo ano, tão legal uma quermesse… Os santos Antônio, João e Pedro, sem comemoração. O Nordeste o maior festeiro de S. João não pode ser festejado. Caruaru e Campina Grande comemora o santo o mês todo de junho. E o cinema? Funciona no esquema meia-boca com muitas restrições. E os Shows? Teatro, Eventos… Os artistas e atores estão aproveitando o tempo para descansar, mas começam a ficar cansados de muito descanso. Será que um dia acaba? A Europa dá sinais da volta à normalidade. E aqui? Já começo a ficar desanimado.  

PROBLEMÃO – É abrir um negócio no Brasil. Não importa o tamanho se é um boteco ou uma indústria, o problema é o mesmo. Essa burocracia infernal pode ser uma das causas para o Brasil não crescer como deveria. O Banco Mundial resolveu dar uma mãozinha para os empreendedores daqui e também de fora. É a primeira vez que uma instituição global divulga dados dos Estados indicando onde é mais fácil abrir um negócio e mantê-lo. Os três menos difíceis: S. Paulo, que já era de se esperar; Minas que também não é surpresa e… Roraima!!!! Essa ninguém esperava. Com uma população de 500 mil habitantes, dos quais 420 mil vivem na capital, em Boa Vista, não deve ser muito atrativo para negócio. Mas é ideal para quem quer fugir da sogra. Os Estados na rabeira onde não se recomenda abrir negócio, salvo se você quer enrolar a namorada e o futuro sogro e não gosta de trabalhar: Pernambuco, Espirito Santo e Amapá. Segundo o documento do pomposo “Business Subnacional Brasil 2021”, que eu nem sabia que existia, divulga 5 indicadores para abrir um negócio nos Estados, mesmo que seja uma quitanda. 1. Tempo de abertura de empresa, procedimentos e custo. 2. Custo e tempo para obter alvará para construir. 3. Registro de propriedade e procedimentos para adquirir um ponto comercial e transferir para seu nome. 4. Pagamento de impostos e contribuições obrigatórias (esse é o mais rápido, libera em 3 dias). 5. Execução de contratos para resolver litigio comercial. Resumo: abrir empresa no Brasil é quase como matar leão com socos.         

CRESCIMENTO – Alguns setores da economia que contribuíram para o crescimento do PIB no 1º. Trimestre. Contas públicas com superavit recorde de 24,2 bilhões em abril; crescimento do transporte ferroviário; exportações do agronegócio batem recorde, crescimento de exportações de frutas; índice de confiança no comércio subindo; expectativa de crescimento de valores da agropecuária de 1,057 trilhão; grande movimento de embarque nos portos brasileiros; o maior lucro dos correios em 10 anos; investimentos no setor elétrico; saldo positivo em postos de trabalho; produção mineral em crescimento; faturamento da indústria crescendo; mais crédito para empresas médias, pequenas e micro. Tá bom assim?

NÚMEROS – O Brasil está em 2º. lugar no número de casos confirmados de covid 19 e em 2º. lugar em mortes, mais de 500 mil, em números absolutos. Lideramos a expansão de novos casos e óbitos no mundo representando 20% do total. Em uma semana tivemos 449 mil novos casos e 14,5 mil mortes. Agora vamos ver esses números de outra forma. O Brasil tem 215 milhões de habitantes, então há mais casos. Um país com 50 milhões tem menos casos que nós, certo? Nem sempre, pode estar com mais casos que o Brasil. Vamos considerar que todos os países do Globo possuem um 1 milhão de habitantes. Nesse caso estamos em 22º. lugar em números de casos e 19º. em número de óbitos. E aquele país de 50 milhões pode ter mais casos que nós. Os casos e óbitos devem ser visto na proporção de um milhão da população. No último levantamento de dados feito por milhão, a Bélgica, com 11,5 milhões de habitantes, tinha mais casos que o Brasil. Outro dado importante, não divulgado, é a quantidade de pessoas curadas após ser infectadas. Estamos em 2º. lugar, logo abaixo do EUA.  

CAMUS – Escritor, filósofo, dramaturgo, jornalista, Prêmio Nobel em 1957, Alberto Camus nasceu na Argélia, em 1913, quando esta pertencia a França. Morreu num acidente de carro, 1960, com 46 anos. O irônico é que ele não gostava de andar de carro, achava absurdo acidente de carro. Ele ia a Paris, de trem, com passagem comprada. Acabou convencido por seu editor a ir de carro com ele. Pra não dizer não, aceitou e… morreu num acidente de carro! Um texto para refletir de Camus. “Envelhecer é o único tempo de viver muito tempo. A idade madura é aquela na qual ainda se é jovem, porém, com muito mais esforço… O que mais me atormenta em relação a tolices de minha juventude não é havê-las cometido… e sim não poder voltar a cometê-las. Envelhecer é passar da paixão para a compaixão. Muitas pessoas não chegam aos 80 porque perdem tempo tentando ficar nos 40. Aos 20 reina o desejo, aos 30 reina a razão, aos 40 o juízo. O que não é belo aos 20, forte aos 30, rico aos 40, nem sábio aos 50, nunca será nem belo, nem forte, nem rico, nem sábio… Quando se passa dos 60, são poucas as pessoas que nos parecem absurdas. Os jovens pensam que os velhos são bobos, os velhos sabem que os jovens o são. A maturidade do homem é voltar a encontrar a serenidade como aquela que usufruía quando se era menino. Nada passa mais depressa que os anos. Quando era jovem dizia: verá quando tiver 50 anos. Tenho 50 anos e não estou vendo nada. Nos olhos dos jovens arde a chama; nos olhos do velho brilha a luz. A iniciativa da juventude vale tanto quanto a experiência dos velhos. Sempre há um menino em todos os homens. A cada idade lhe cai bem uma conduta diferente. Os jovens andam em grupos, os adultos em pares e os velhos andam sós. Feliz é quem foi jovem na sua juventude e feliz quem foi sábio na sua velhice. Todos desejamos chegar à velhice e todos negamos que tenhamos chegado. Não entendo isso dos anos, que todavia, é bom vivê-los, mas não tê-los. Agora conhecemos os atalhos do campo.” Aproveite e leia Camus. Alguns livros: O Estrangeiro, A Peste, A Queda, A Morte Feliz, O Exílio e o Reino.

VALE A PENA? – Será que vale a pena fazer atividades físicas intensas e dietas rigorosas? Sair de um treino morto de cansaço, deixar de comer um bolo delicioso? O inventor da esteira, onde se exercitava todos os dias, morreu com 54 anos. O criador da ginástica partiu com 57 anos. O campeão mundial de fisiculturismo foi embora com 41 anos. Maradona embarcou com 60 anos. Por outro lado, o criador do KFC, rede de restaurantes de frango nada saudável morreu com 94 anos, comendo sempre seu franguinho. O inventor da Nutella foi chamado aos 88 anos. O dono dos cigarros Winston partiu com 102 anos, sempre fumando. Aquele que industrializou o ópio? Morreu com 116 anos e sempre dava sua cheiradinha. O fundador da Henessy, produtora de conhaque, em Cognac, na França, se mandou aos 98 anos dando seus tragos todo dia. Hugh Hefner, criador da Playboy, partiu feliz com 91 anos rodeado pelas garotas que pousavam nuas para sua revista. Como é que exercício físico e dieta prolonga a vida? Então… Faça exercícios, sem se matar, uma dieta leve, sim. Descanse, relaxe, ame muito, coma bem sem exageros, tome seu vinho, sua cervejinha. Tome um whisky de vez em quando e aproveite a vida. É curta e uma só.   

CINEMA NO SOFÁ – O filme Duplicidade, de 2009, é uma comedia romântica, com suspense e espionagem. Bom para se ver com muita guloseima e líquidos, a escolha de vocês, e para esquecer um pouco a maldita pandemia. Com roteiro e direção de Tony Gilroy conta com dois astros Julia Roberts e Clive Owen, mais Paul Giamati e Tom Wilkinson. Julia, agente da CIA e Clive, agente do MI 6 inglês, resolvem cair fora para se aposentar com muita grana. Cada um deles é contratado por uma multinacional, concorrentes, que estão desenvolvendo uma fórmula que vai gerar milhões de dólares. Eles se unem para descobrir a fórmula e rouba-la. Mas acabam se apaixonando e passam a desconfiar um do outro. Uma boa diversão para um sábado de pandemia em casa.   

A ROSA – A famosa valsa “Rosa”, além de Carinhoso, é outra música muito conhecida de Pixinguinha. Ela tem uma história curiosa. Pixinguinha fez a melodia e logo começou a tocar nas rádios e fazer sucesso. Todos achavam linda a música, mas faltava uma letra para ser cantada. Apesar disso ninguém se interessou em fazer uma letra. Em Engenho de Dentro, subúrbio do Rio, um mecânico de automóveis, Otávio de Souza, poeta bissexto, fez uns versos para “Rosa”. Mostrou para os amigos que gostaram muito. Otávio guardou os versos. Um dia, nas quebradas da vida, quem ele encontra? Mestre Pixinga! Otávio, inibido, aproximou-se dele. Pixinguinha, sempre elegante e educado o recebeu. Otávio então declamou os versos que fez para “Rosa”, o mais belo poema parnasiano. “Pizindim, como era chamado por sua avó, encantou-se com versos tão bonitos. Ali estava seu mais novo parceiro, Otávio de Souza. A música com a letra foi gravada magistralmente por Orlando Silva, o maior cantor que o Brasil já teve,   invadiu as ondas das rádios, fazendo grande sucesso. A música, difícil de interpretar por causa do fraseado poético, recebeu depois uma enxurrada de gravações. Pixinguinha levou os louros da “Rosa”.  Mas quase ninguém lembra do mecânico de Engenho de Dentro, autor de uma obra maravilhosa.              

O EXAME – Médico – seu exame deu positivo para covid. Paciente – o que faço doutor? Médico – Você é esquerda ou direita? Paciente – esquerda. Médico – tome dipirona e espere em casa para vermos se vai piorar. Se tiver falta de ar iniciamos o tratamento com oxigênio. Se precisar o entubamos. Paciente – e se eu for direita? Médico – receitaria o tratamento precoce, buscando evitar a piora dos sintomas, pois evidências mostram resultados positivos em muitos casos e os medicamentos são seguros e usados há 70 anos. Paciente – quero precoce. Médico – não posso. Se eu prescrever o tratamento precoce estarei sendo conivente com a hipocrisia. Melhor consultar um jornalista, um político, apresentador de TV, Seu Zé do boteco… 

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