Brexit sem acordo custará 9,3% do PIB britânico em 15 anos

AFP

Deixar a União Europeia sem um acordo fará com que o Reino Unido perca 9,3% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em um período de 15 anos, segundo um relatório de impacto econômico publicado nesta quarta-feira pelo governo britânico.

A economia também sofreria com o atual acordo de saída alcançado com a UE e a futura relação comercial que ambas as partes esperam estabelecer, mas só perderia 3,9% do PIB, aponta o relatório.

Este relatório é publicado duas semanas antes da data em que o parlamento britânico deve votar a ratificação do acordo que a primeira-ministra Theresa May selou no domingo com os outros 27 membros da UE em uma cúpula extraordinária em Bruxelas.

A oposição ao texto é forte entre os deputados, mesmo nas fileiras do Partido Conservador de May, e, apesar dos esforços do governo, a votação de 11 de dezembro é incerta.

O relatório econômico observa, no entanto, que todos esses números devem ser encarados com alguma cautela “devido às incertezas inerentes a este tipo de análise econômica”.

“Do ponto de vista puramente econômico, a saída da UE terá um custo (…) O que a primeira-ministra está tentando fazer é minimizar esse custo”, disse o ministro das Finanças, Philip Hammond, pela manhã à rádio BBC.

O documento não fornece números concretos, mas, segundo economistas citados pela agência de notícias AP, uma perda de 3,9% do PIB representa cerca de 100 bilhões de libras até 2030, um número muito superior à contribuição atual do governo britânico ao orçamento da UE.

Quase três anos depois do referendo de 2016 em que 52% dos britânicos votou a favor do Brexit, o país deve sair da União Europea em 29 de março.

A oposição ao texto é forte entre os deputados, inclusive nas fileiras do Partido Conservador da primeira-ministra Theresa May e, apesar dos esforços do governo, a votação de 11 de dezembro se anuncia incerta.

Neste contexto, o relatório apontou que uma saída brutal do bloco sem qualquer tipo de acordo implicará que dentro de 15 anos o Produto Interno Bruto (PIB) britânico foi 9,3% inferior à projeção de crescimento sob as condições atuais.

De acordo com o relatório, a economia britânica também poderá sofrer caso se estabeleça a futura relação comercial prevista sob o atual acordo concluído com a UE e os tratados de livre-comércio com outros países.

No entanto, nesse caso a perda de crescimento seria de somente 3,9% do PIB.

O documento não dá cifras concretas, mas segundo os economistas citados pela agência de notícias britânica Press Association, essa redução representa cerca de 100 bilhões de libras para 2030, um número muito superior à atual contribuição do governo britânico ao orçamento da UE.

O relatório econômico indica, contudo, que todas esses dados devem ser considerados com certa cautela “devido às incertezas inerentes a este tipo de análise econômica”.

– “Minimizar o custo” –

“Essa análise não mostra que seremos mais pobres no futuro do que somos hoje”, afirmou pouco depois de sua publicação Theresa May em mais uma visita à Câmara dos Comuns, no esforço de convencer a aprovação do acordo após 17 meses de negociações com Bruxelas.

“Mostra que nossa situação será melhor com este acordo”, acrescentou.

Em declaração à rádio pública BBC, o ministro das Finanças Philip Hammond havia reconhecido pela manhã que “do ponto de vista puramente econômico, a saída da UE terá um custo”.

“O que a primeira-ministra está tentando fazer é minimizar esse custo”, ressaltou.

O Banco da Inglaterra reforçou a expectativa de prejuízos com a saída da UE, ao prever uma queda de 25% da libra esterlina em sua avaliação de diferentes cenários de saída da União Europeia.

O banco central britânico considera também que em caso de um Brexit sem acordo o Produto Interno Bruto (PIB) do país teria uma queda de entre 7,8% e 10,5% em 2024.

As críticas que o texto voltou a receber nesta quarta-feira na Câmara dos Comuns, onde euroecéticos e pró-europeus se opõem a ele por motivos diferentes, deixaram claro que a chefe de governo terá que superar muitas resistências para conseguir o voto da maioria naquele que apresentou como sendo “o único acordo possível” de Brexit.

“Não é difícil que seja o melhor acordo se o único acordo”, ironizou o líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn. “Por definição, é também o pior acordo”, acrescentou causando gargalhadas de boa parte da câmara, antes de afirmar que “chegou a hora de trabalhar em outro plano”.

No entanto, a primeira-ministra e seus sócios europeus deixaram muito claro que não haverá possibilidade de negociar outras condições e que a quatro meses da data prevista, o tempo pressiona.

Em uma tentativa de conquistar a opinião pública, May está viajando esses dias pelo país, até a Irlanda do Norte, Escócia e Gales, na esperança de que britânicos cansados do interminável debate do Brexit e preocupados por suas possíveis consequências pressionem seus deputados para que ratifiquem o acordo.