A linguagem das cores

O universo pictórico de Paola Publio é regido pela cor e pela espiritualidade. Não se trata de encontrar ali somente um momento místico, mas de ter a oportunidade de ver nas pinturas, com ancestralidades e religiosidades de matriz católica e africana, passos para uma visualidade que pode indicar tramas de si mesmo a serem desvendadas.

As figuras frontais remetem tanto à arte bizantina como ao universo de ícones sagrados feitos com mosaico. É como se fosse possível penetrar nos olhos das personagens para chegar a algum tipo de religação com o divino. Dessa forma, cada obra realiza esse papel de conectar o observador a si mesmo e ao universo como um todo.

As cores mais quentes e a utilização de pinceladas curtas que trazem recordações do pontilhismo em certas áreas colaboram decisivamente para uma mescla entre um fazer que aponta para o popular e uma elaboração que provém da observação da própria obra e de trabalhos alheios.

O resultado traz a possibilidade de ver cada obra de arte como uma ponte para um devir permanente que mostra como o cotidiano pode estar além do que é visto racionalmente, abrindo portas de percepção que apontam para renovadas dimensões e interpretações de mundos conhecidos e a desvendar.

Oscar D’Ambrosio
@oscardambrosioinsta
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista, crítico de arte e curador

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