A Divina Comédia é destaque em Ligia Testa Espaço de Arte

A Arqtus Concept – Ligia Testa Espaço de Arte de Campinas,  realizou no dia 4 de setembro das 17h20 às 21h30 um destacado evento sobre o legado cultural do gênio da Literatura Universal, Dante Alighieri, com palestras dos expertises Paulo De Tarso Souza e Carlo Molina.

Quando o poeta italiano Dante Alighieri imaginou o inferno na famosa obra A Divina Comédia, ele deixou uma dúvida para a posteridade. Que o inferno seria uma espécie de funil que levaria ao fogo eterno é certo. Mas as almas ainda precisariam atravessar etapas ou “círculos” de muito sofrimento; e ninguém sabe como elas conseguiriam sair de um círculo para entrar em outro. Eis a questão que matemáticos e pintores tentaram, ao longo da história, tentar responder. Um deles foi o pintor italiano Sandro Botticelli propondo que houvesse escadas entre os níveis. Porém esta não seria a melhor solução segundo o arquiteto e doutor da Unicamp Paulo de Tarso Coutinho Viana de Souza. Para o pesquisador, a figura geométrica de uma espiral seria mais funcional e plausível.

Paulo De Tarso Souza , que também é arquiteto e artista plástico, apresentou sua conferencia aos presentes numa maneira moderna e tecnicamente avançada de trazer o inferno de Dante à vida.

Depois de calcular em sua dissertação de mestrado o tamanho do inferno, sua temperatura e lotação máxima Paulo de Tarso desenvolveu uma tese de doutorado no Instituto de Artes da Unicamp, com o objetivo de criar uma nova topografia para o “reino das trevas”. O resultado inicial é um inferno em forma de espiral, com 6.371 quilômetros de profundidade e dividido em nove camadas de 707,8 quilômetros de altura, que ganhará um vídeo em 3D e, em breve, estará disponível na internet. O objetivo do estudo foi achar uma solução geométrica e especial, usando conhecimentos arquitetônicos, para as ligações dos nove círculos de sofrimento no inferno descritos por Dante em sua famosa obra. Quando Dante é levado pelo poeta Virgílio a percorrer o inferno, para passar de um círculo a outro eles são levados por gigantes ou seres alados.

Galileu inspirou
Os curiosos estudos do mestre pelo Instituto de Artes da Unicamp começaram com a dissertação “Inferno, novas topografias: de Dante e Blade Runner”, defendida ano passado em seu mestrado no Instituto de Artes da Unicamp.
“A ideia era mostrar como o conceito de inferno foi construído, em especial pela igreja católica nos séculos IX e X, e que ainda hoje serve como forma das religiões incutirem temor em seus fiéis e para fazer controle social deles. Também mostrar como atualmente ele aparece diferentemente e de modo nem sempre óbvio e explícito em diversas formas de arte, como o cinema e histórias em quadrinhos”, diz Paulo de Tarso.
“Estava lendo um livro chamado ‘A Velocidade da Sombra’, de Jean-Marc Lévy-Leblond, quando vi uma parte em que ele fala de uma palestra de Galileu sobre a localização e dimensão do inferno a partir das descrições de Dante Alighieri na Divina Comédia”, lembra. Foi o estopim do mestrado.

Cálculos dão tempero
Na dissertação, o arquiteto concluiu que o céu é mais quente que o inferno. E diferente das imagens claustrofóbicas de pinturas e ilustrações, é enorme e espaçoso, podendo receber todas as almas que já passaram e, possivelmente, as que vão passar pelo planeta até que ele acabe.
Mesmo que todos os seres desencarnados sejam mandados para arder eternamente junto a Lúcifer, eles poderão reclamar do cheiro de enxofre, mas nunca da falta de espaço.